O poeta toma toddynho Brasigóis Felício O poeta quer levar para o pecado a dona que tem mais horas de cama do que de mucama. Como sucede aos bêbados, sobra-lhe desejo, mas falta-lhe potência para galvanizar a vontade em acontecimento. Gastou, à toa, nos bares da vida, a vontade que tinha de amar uma mulher. Entre o esgar da vontade sem poder, e o alto conceito de garanhão dos trópicos, que tem de si mesmo, falta-lhe a loucura de Hitler, para decretar, por dois milênios, a glória do III Reich. Com meia dúzia de gordas matronas e antigas literatas à sua volta, torrencial e pletórico, verseja, caudaloso, e amazônico, Niágaras de palavras, à guisa de cantadas românticas. Mas eis senão quando... chegam os malandros, com seus pés de veludo,com a leveza de saltimbancos, e já vão se engalfinhando com as ninfas do bardo. Estando o poeta em crise de abstinência, pois que há muito deixou de ser escravo do copo, padece de fome crônica: de duas em duas horas tem que pedir licencinha para ir à lanchonete, onde emborca um toddynho feito no capricho. A pretexto de “tirar a água do joelho”, ao ver a batalha perdida, vai saindo de fininho, e bate em retirada: “Tá na minha hora, receitada pelos médicos. Como de hora em hora o Brasil piora, tenho que tomar meu toddynho com bolo de baunilha”. O dia D do Flamengo Entreouvido no bar: “Hoje é o dia D do Flamengo. Ou levanta, ou se enterra, de vez!”. Ouvindo o desabafo, pensei: é incrível como o povo, sempre tão goleado por todos os desgovernos, preocupa-se, até quase morrer do coração, com a sorte ou o azar do Flamengo. É como se, rebaixado o seu time preferido, tudo em sua vida viesse abaixo, como as torres gêmeas do WTC. É como se um bando de cartolas (abaixo de qualquer suspeita) ou as caneladas dos ídolos provisórios lhes valessem mais do que cidades inteiras, e fossem mais importantes do que eles mesmos. É como se uma sessão de caneladas tivesse o poder de consertar os desmandos dos que transformam o mundo em lugar cada vez mais perigoso, feio e sujo. O poço de vaidosura O visgo (ou o vício) que vem do verbo poético, também contaminha o discurso dó política, e põe pó de mico no bumbum vetusto e solene da diplomacia. Por ex:em uma confusão bananeira, vai o chapeludo e retumbante Zelaya comer sua marmitex com arroz, feijão e biscoitos, sentado em solo esplêndido da pátria brasileira. Sem ser asilado nem refugiado, faz seu escritório político nosso solo diplomático. Ele e seus sequazes negam partilhar as marmitas com as pessoas que os abrigam: "É só para os hondurenhos", dizem: é tudo nosso! Sendo mero abrigado, Zelaya se vê desobrigado de respeitar a casa que lhe deu guarida. Casa que ele invadiu, em acaso combinado com Lula, Chavez, e o camarada Morales. De nossa embaixada ele faz palanque político.cacunda.Tudo resultado da diplomacia bolivarista do camarada Amorim e do segundo chanceler, o Garcia Top Top, que tanto se orgulha de ser embaixador de ditadores e déspotas sanguinários, tipo Fidel e Kadaf. Pelo andar da carruagem, difícil saber quem puxa com mais vontade o cachimbo da vaidade: se nosso Grande Irmão boquirroto, ou se o seu chanceler, visto por seus pares e ímpares como um poço diplomático de vaidadosura, que pode acabar em nitroglerina pura. Como estamos a ver no conflito internacional de Honduras, a que fomos levados pelos rompantes da retórica bolivarista.
Escrito por brasigoisfelicio às 11h10
[]
[envie esta mensagem]
[link]

|