... ainda sobre o pensamentar compulsivo, tantas vezes derivativo e consumido em vício ou em vanidades vazios... a pessoa realizada é a que realizou o Ser, não a que leu mais livros, ou decorou o pensamento de celebridades - e menos ainda a que pensamentou tanto que lhe ferveram os miolos, ficando abibolada da bola, como Cervantes garante que ficou Don Quixote, tornado cavaleiro intrépido e andante, de tanto ler romances de cavalaria. O que de costume ocorre com pensadores compulsivos é o de se tornarem excesivos ou ridículos, refratários à luz da consciência, de tanto se entregarem, como máquinas extraviadas (evoé, José J. Veiga!) aos movimentos mecânicos do pensamento condicionado e mecânico. Eles, os pensadores compulsivos, pensam demais, e errõneamente, e em sua presunça cegueira, pensam que são os reis a cocada preta. P.S. Há diferença visível entre a pessoa que realizou o Ser, isto é, integrou no Si-Mesmo todas as instâncias da Consciência, e a que apenas empanturrou-se de letras vernáculas, sendo que muitas delas são portadoras de doenças venéreas: embora os criticocratas de plantão as proclamem veneráveis, são vulneráveis, lamentáveis e toscas, pois que vivem a parasitar outras, enrabichadas que são como rabo de raia,ou de pandorgas ao vento - assim como o pensamento automático e condicionado caminha a outros de sua estirpe, como um macaco zombeteiro, a saltitar nos galhos da mesma árvore. Gonzaguinha diria, em ironia nordestinada: "A platéia ainda aplaude/ainda pede bis/a platéia só deseja ser feliz".
Escrito por brasigoisfelicio às 10h23
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Seria muito bom e fácil se as atrocidades dos tiranos pudessem ser evitadas ou punidas pelo simples fato de um poeta dizer que está a cagar-se para elas, como o fez Lobo Antunes, escritor português. No sentido inteiro da expressão, ela quer dizer não dar importância. E devemos, sim, dar importância a tudo o que agride os direitos essenciais da pessoa, e viola os direitos humanos. Também andei pescando sabedoria em Pascal, mas há todo um pensamento da Filosofia Perene (que sobrevive a ele, uma vez que é perene, isto é, ilumina os séculos e milênios, como o demonstrou Aldous Huxley. A dignidade do ser humano, e toda a sua complexidade não podem residir somente no pensamento, mera função da mente intelectiva, e apenas um dos mais baixos andares do insondável edifício da percepção. Ademais da filosofia perene, há todo um pensamento contemporãneo, a desmistificar este poder absoluto do pensamento, a que você alude. O pensamento não abarca todas as qualidades da pessoa auto-realizada, segundo o insuspeito e moderno Maslow. Se o pensamento resumisse em si toda a dignidade e potencialidade do humano, realizadamente humano, neuróticos e psicopatas seriam os faróis da humanidade, uma vez que eles pensam muito bem, e muitos deles provaram ser até genialmente articulados articulados. Há pessoas que pensam alucinadamente, o tempo todo, mas o fazem sentindo-se desconfortáveis em relação à realidade. São os pensadores compulsivos, fanáticos e escravos do pensar cartesiano, para quem só existe o que cabe em pensamentozinho condicionado e estreito. Ao contrário destes, pessoas que realizaram o Ser nelas mesmas utilizam o pensamento apenas como um instrumento de comunicação cotidiana. Para acessar verdades eternas utilizam instrumentos mais poderosos e sensíveis...
Escrito por brasigoisfelicio às 10h20
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