CONVOCAÇÃO AO POETARIADO Brasigóis Felício “Se Vinícius se Moraes existiu, tudo é permitido”. Assim falou o personagem de uma peça teatral, em meio a uma suruba. Quanto a mim, acrescento: Se o poetinha Vinícius de Moraes existiu, e deu certo, sendo o branco mais preto do Brasil, tudo é certo, nada é errado, a não ser o mundo dos engravatados a quem ele deu uma banana para abraçar muitas bananas, agarrado ao violão, e a todas as mulheres bonitas do mundo (pois que a beleza é fundamental). Poetas, namorados, correi, de braços abertos, rumo às virgens loucas, que já não existem, ou às loucas aventuras. se o poetinha existiu, sobreviveu e não se vendeu, depois da hora espandongada em que todos os bares sorriem para a cidade, todas as leis estão revogadas - e tudo valerá a pena, se a alma não for pequena!
Escrito por brasigoisfelicio às 21h48
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ALEGRIA TRISTE Brasigóis Felício “Limitar é humilhar o infinito”. (Sandra de Sá) Limitar é pensar que se pode colocar coleira no cosmo fazer o Amazonas caber em um copo engessar em palavras o instante quântico. Não deu mais para continuar a farsa da alegria triste que fez do fracasso humano um dolorido sucesso artístico A quem teve a infância roubada coube a ilusão colorida de fazer da aridez dos dias um parque de diversões. P.S. À alma de Michel Jackson, que sempre cantou: “Onde perdi a minha infância? Alguém viu a minha juventude?”.
Escrito por brasigoisfelicio às 21h20
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Que paraíso é este? Brasigóis Felício Que paraíso é este, que ninguém vê? Sendo a eterna bola da vez, nunca cai na caçapa - não monta o cavalo arriado, que passa A si mesmo solapa o Brasil malandrinho no sono impávido do gigante colosso que vai na contra-mão de seu destino manifesto Em descaminho escolhido vive em desconforto de ser o eterno país do futuro onde em se plantando tudo daria pé Que país é este, que esconde de si o seu rosto possível? O Brasil não conhece o Brasil o Brasil atrapalha o Brasil E não rompe a cabeceira da vanguarda do atraso nem com todo céu de anil nem com o sabiá na palmeira nos mares & maranhães bravios Nada salva o povinho miúdo de viver ao Deus dará entre missas e comícios, funerais e festivais de circos cívicos Que paraíso é este, a implodir-se entre famas e infâmias, de guerrilhas & milícias sem Cardinales bonitas? Que solidão de não ser nos visita quando aqui há tanta vida, tanta promessa não cumprida e justiça tão tardia aue quando chega vem com gosto de azinabre? Em que canção de se perder no asco faz profissão de fé de fracasso no futuro abortado em céu de aço?
Escrito por brasigoisfelicio às 11h38
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Desencantares do mundo Brasigóis Felício O poeta já não se ilude: suas palavras não mudam nem moldam o mundo: não elidem seu desvario, nem recuperam a esquecida luz. Os poucos que ainda insistem em caminhar na contra-mão do absurdo, é porque se sentem vivos mantendo-se fiéis à lucidez do compromisso. Porém, os bosques e os lagos dos parques são espaços de silêncio e de respiro, nas cidades vertiginosas. Poucos no entanto são os que se dão o direito de contemplar o silêncio criador do vazio-cheio em que viaja o que É. Assim escreveu José Saramago, em seu blog: “Todos os dias desaparecem espécies animais e vegetais, idiomas, ofícios. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Cada dia há uma minoria que sabe mais e uma minoria que sabe menos. A ignorância expande-se de forma aterradora. Temos um gravíssimo problema na redistribuição da riqueza. A exploração chegou a requintes diabólicos. As multinacionais dominam o mundo. Não sei se são as sombras ou as imagens que nos ocultam a realidade. Podemos discutir sobre o tema infinitamente, o certo é que perdemos capacidade crítica para analisar o que se passa no mundo. Daí que pareça que estamos encerrados na caverna de Platão. Abandonamos a nossa responsabilidade de pensar, de actuar. Convertemo-nos em seres inertes sem a capacidade de indignação, de inconformismo e de protesto que nos caracterizou durante muitos anos. Estamos a chegar ao fim de uma civilização e não gosto da que se anuncia. O neo-liberalismo, em minha opinião, é um novo totalitarismo disfarçado de democracia, da qual não mantém mais que as aparências. O centro comercial é o símbolo desse novo mundo. Mas há outro pequeno mundo que desaparece, o das pequenas indústrias e do artesanato. Está claro que tudo tem de morrer, mas há gente que, enquanto vive, tem a construir a sua própria felicidade, e esses são eliminados. Perdem a batalha pela sobrevivência, não suportaram viver segundo as regras do sistema. Vão-se como vencidos, mas com a dignidade intacta, simplesmente dizendo que se retiram porque não querem este mundo”. Isto José Saramago já sabia. Quanto a mim, digo que, nas cidades trepidantes, sobrevive-se no limite do risco: ondas de assalto, até mesmo nas antes pacatas cidades de interior, são a conseqüência direta do flagelo das drogas. Onde se vivia sem medo e ansiedade, famílias associam-se em atividades criminosas, não mais se irmanam para a solidariedade e o convívio fraternal.
Romperam-se os diques do decoro; ter vergonha na cara deixou de ser requisito para o viver em comunidade e o respeitar a si próprio. Não é mais visto nem no convívio indiferente ou hostil entre pais e filhos, que atritam-se contra seus provedores, como pérfidos monstros anti-vida. Onde buscar segurança, quando a simples anarquia se espalha pela terra, e a insanidade do Homus Economicus devasta os recursos não renováveis do planeta – a moldura e morada do Homo Sapiens, tornado Homo Demens por sua mente insana e selvagem? Indiferentes à fúria e à pressa da cidade, tornada pauleira pura, pelo Homus Economicus, que não tem tempo para ser feliz, as maritacas passam, junto a outros passam, em revoadas que fazem lembrar a paz que podemos ser. Ao vôo da leveza assisto, comovido, escutando o estrondo da cidade trepidante – e dá-me uma estranha nostalgia de não ser leve como as aves. Súbito, vêem-me à mente os versos do poeta Wallace Stevens: “Guarda tuas palavras/guarda teus gestos/guarda até teus pensamentos/Com quem estarás, quando estiveres no paraíso?/Com os pássaros, talvez – apenas com os pássaros”.
Escrito por brasigoisfelicio às 20h33
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Três poetas em conluio Luiz de Aquino (transcrito do jornal Diário da Manhã 3/06/09 Abstenho-me de contar quotidiano, de analisar fatos e façanhas. Hoje, resumo meu texto a um poema decorrente, produto da leitura de dois pomas, dois poetas. E aqui vão as nossas vozes, a começar pela professora e poetisa Sílvia Neves, de Porangatu, Goiás: “SILÊNCIO - No silêncio da cidade pacata / Aguça-se a percepção / Da melodia da existência / Contrapondo-se à essência // Na noite não se ouve ruídos / Enquanto o corpo descansa / A mente grita a ausência Do barulho cotidiano: // O disse-me-disse / Da injustiça muda / Do desejo reprimido / Do suor expelido // Da doença que abrasa / Do desempregado sem casa / Do idoso que chora / Do visitante que vai embora // Do homem sem dentes / Da dama cega ardente / Do cavalheiro surdo / Da boiada no sol quente // Do som do berrante / O cansaço do estradeiro / Do mendigo errante / E a labuta do boiadeiro // Da moça que namora / Um amor que aflora / Com rapaz anda de bonde / No jogo do esconde- esconde // Da mulher que trabalha /No varal roupas anis / A animação do cachorro / Meio ao canto dos bem-te-vis // Do zunzunzum do mosquito / Um bando de periquitos aflora / Um despertar pelo canto do galo / No frescor da afetuosa aurora // No silêncio / A vida prossegue / Numa luta sem voz / Suave.. / Atroz...”. E aí vem Brasigóis Felício, poeta em tempo integral, analítico em profundidade das coisas humanas, incluindo-se aí a múltipla alma do poeta Pessoa... “O ESTEVES DA TABACARIA - Queria ser como / o Esteves da tabacaria / - sem poesia / e sem metafísica. Não como / Fernando Pessoa, o poeta, / que lá ia comprar / o seu fumo e a sua palha. // Olharia a pedra / e veria a pedra / e não uma forma imóvel / do rosto de Deus. // Se eu não fosse tão cheio / de certezas, tão carregado / de livros e medos, / seria simples e humilde, / como os que renunciaram / à vitória e à derrota. // Sabendo que a verdade / é uma terra sem caminhos, / seria tão silencioso / como as folhas na relva, / ou a solidão da neve / ou tão vasto como as aves / que não precisam de escadas / para voar na amplidão do céu. // Passaria a vida entregue / à minha desimportância / a fumar minha cigarrilha / na calçada do nada, / dando bons dias aos passantes / sem me sentir consumido / pelas moendas do tempo. // Passaria pelos dias /sem lamentar a passagem / da vida que viria / se tudo não tivesse dado em nada / como tudo dá, quando tudo acaba. // Seria um ser / tão sem destino / que todos os caminhos / levariam a quem Eu Sou. // Passaria pelos outros / mortos vivos como eu / indiferente ao vazio em que vivem / sem ter que cumprimentar os vizinhos / por mero protocolo / de civilizado aparente. // Não seria tão irônico e sibilino / como um cão filosófico / a vagir teorias pós-tudo / como animal raivoso a rosnar / em defesa de seu osso. // Se eu não fosse tão cheio / de certezas, tão carregado / de livros e medos, / seria simples e humilde, / como os que renunciaram / à vitória e à derrota. // Sabendo que a verdade / é uma terra sem caminhos, / seria tão silencioso / como as folhas na relva, / ou a solidão da neve / ou tão vasto como as aves / que não precisam de escadas / para voar na amplidão do céu”. Abelhudo, cheguei com a minha colher-de-pau... “MEU CANTO À SÍLVIA - Os versos de Sílvia silvam / no silêncio dos meus tímpanos / vetustos (por isso, cansados). // Os versos de Sílvia / têm cores de madressilvas / e rostos comuns de pessoas / sonantes, suadas, silentes. // Verseja a mestre-mestra / de letras e formas de artepalavra / e desperta olhar de analista / do poeta em brasa / que não dorme, nem é cinza. // Cinza é a cor da minha cabeça, / cabeça armazém de ecos / em meses repetidos tantas vezes, / somatório / de dores e de flores, que não se é poeta / impunemente, nem esteio, / nem dormente. // Meu nariz não aceita, minhas vias / de ares e aromas não suportam. Por isso, abro mão / do Esteves e da cigarrilha, beijo Pessoa, abraço / a brasa do poetamigo sulgoiano e elevo / salvas à Silvia, a nevar no cerrado / nortegoiás. Um beijo, L.deA. (Sílvia, permita-me sempre a revisão). Luiz de Aquino é jornalista e escritor, membro da Academia Goiana de Letras (poetaluizdeaquino@gmail.com). Blog: http://penapoesiaporluizdeaquino.blogspot.com
Escrito por brasigoisfelicio às 09h52
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INSTÂNCIAS DO AGORA Brasigois Felicio Os que vivem no Agora não sofrem a doença do amanhã nem fazem viagens de remorso: não alimentam esperanças vãs. Contentam-se com o brilho do presente que vivem e o amor que dedicam a tudo o que existe é sem condições. Sabem que tudo o que vive precisa de amor e cuidado em todas as instâncias do instante que passa.
Escrito por brasigoisfelicio às 12h19
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É CHOVER NO MOLHADO QUERER SALVAR O "LEITE DERRAMADO".
Escrito por brasigoisfelicio às 10h29
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Reinventar a esperança Brasigóis Felício Chegando de um fim de semana em Caldas Novas li, em meu endereço eletrônico, e-mail contendo palavras amáveis de Ignácio Loyola Brandão, um escritor brasileiro dos melhores da atualidade, que respeito como intelectual criador e como ser humano solidário e fraterno em relação a tudo o que vive. Caríssimo Brasigóis Felício: após décadas retornei à Goiânia. Indo para o hotel, de repente, aqui e ali vislumbrava um trecho mais familiar. E lembrei-me de que anos atrás havia correspondência, havia intercambio, uns iam para um lado, outros vinham a nós, era uma geração unida. Ainda que vocês fossem mais jovens do que João Antonio, Antonio Torres, Roberto Drummond, eu, Raduan. Estava pensando em vocês quando abri O Popular e vi a sua crônica. Curioso como quase todos nós nos transformamos em cronistas. Também sou no O Estado de S. Paulo e gosto, me apaixonei, as reações dos leitores são imediatas. Lendo a sua crônica, A Republica dos Doutores, claro relembrei Lima Barreto, porém, mais do que isso, lembrei-me de João Antonio que tinha pelo Lima verdadeira veneração, idolatria. De vez em quando, Torres e eu brincamos, o João se achava a reencarnação do Lima. E de alguma maneira tinha tudo para ser na sua não concessão, na sua irrascibilidade, no seu rancor (Abraçado ao Meu Rancor, lembra-se?), indignação. Não há mais indignação, o que se vê é apatia, acomodação. O que escreveria hoje o Lima sobre senadores e deputados em sua orgia de Passagens aéreas, nos ministros do STF brigando entre si, o negro Barbosa espezinhado, os ministros dando razão ao Gilmar Mendes, homem execrável com suas liminares aos ladrões de colarinho branco. Estive em Goiânia para falar com professores sobre meu livro infantil O Menino que Vendia Palavras, em que os personagens são um menino, sua professora e seu pai. Nesta idade, virei-me para a infância e puxei coisas, tornando-as literatura. Curioso, a maioria dos professores na platéia era do ensino médio e fundamental, mas havia algumas de Letras. Estavam na segunda fila. Uma delas me emocionou ao lembrar que lendo cadeiras Proibidas me achou completamente louco... ...Estávamos todos loucos naqueles anos 60 com a ditadura, a censura, a saia justa em que vivíamos. Uma hora, falei que nada sei de teoria, deixo as teorias aos teóricos, aos professores de Letras, aos ensaístas. Nós somos criadores, inventamos, copiamos da realidade, fazemos. Os outros nos olham, nos lêem, fazem teses. Uma delas, de olhar doce e suave por trás de uns óculos de enorme armação pareceu desapontada. Não era minha intenção desapontar professores, principalmente de Letras. Eles são necessários, nos estudam, nos dizem coisas sobre nós mesmos que nem sabemos.Tiram do que escrevemos fatos, símbolos, interpretações que nos assombram às vezes. Sai de Goiânia pensando naquelas duas professoras de rostos tão bonitos, olhares tão calmos, gostosos.Enfim, Brasigóis, aqui vim te abraçar, depois de tantos anos. No momento pesquiso para escrever um perfil em livro de Ruth Cardoso, mulher fantástica. Depois, talvez a continuação de O Menino que Vendia Palavras, tenho uma idéia na cabeça.E aqueles escritores todos de Goiás? Miguel Jorge entre eles!Quem estava na platéia foi o Washington Novaes, caro amigo, e o Gil Perini, que não conhecia, mas me foi indicado por todo mundo.Grande abraço Ignácio de Loyola Brandão Respondi assim às amáveis palavras de Loyola Brandão: Caro amigo Loyola Brandão: Só hoje, depois de retornar das águas calientes de Caldas Novas (você conhece? Se não, deve fazê-lo, é imperdível) leio seu e-mail. Feliz de saber que você não nos esqueceu. De fato, foi uma sincronicidade eu publicar e você ler a crônica A República dos Doutores, onde vão inquietações do velho pingente Lima Barreto, e também as minhas, e também as que seriam do João Antônio, quem mais reconheceu o talento não devidamente reconhecido do autor do Policarpo Quaresma - também porque você próprio alinha-se à visão de mundo da geração que deu João Antônio, Antonio Torres, Roberto Drummond, Raduan Nassar... Se estivesse em Goiânia estaria lá, no auditório, para abraçá-lo, conversar com o amigo vivedor da terra em transe que foram os acontecimentos que marcaram a nossa geração. Lembro até hoje que você me disse uma vez, em São Paulo, acho que na Bienal Nestlé, que As estações do pânico, um conto do meu livro A marca de Caim, era um texto que você gostaria de ter escrito. A vida dá muitas voltas, e em estando vivos sempre é possível o reencontro entre os amigos e companheiros de geração - e de uma jornada que nos deu maravilhas e porradas - mas tudo valeu a pena, contribuiu para não termos nossa vida apequenada. Abraço fraterno P.S. Conclui-se, do exposto, quando até mesmo de uma pessoa da lucidez de um senador Cristóvao Buarque chegar a propor que se faça um plebiscito para saber se o povo quer o Congresso Nacional funcionando, ou se é melhor que o fechem, para não mergulhar no desespero, necessário se faz reinventar a esperança.
Escrito por brasigoisfelicio às 21h12
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Trilha incerta Brasigois Felicio Seguir os caminhos do conhecido é afogar no comido fingindo ser renovo aprender o sabido Seguir a senda estreita é habitar-se do inaudito vazio-cheio do Absoluto Se Deus é um longo intervalo, não há música sem silêncio No contentamento de aceitar e celebrar viajam os que são leves de bagagem por isto passam e esquecem Aceitar o agora que nos veio sem forçá-lo a nos oferecer respostas pode fazer toda a diferença.
Escrito por brasigoisfelicio às 22h00
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... ainda sobre o pensamentar compulsivo, tantas vezes derivativo e consumido em vício ou em vanidades vazios... a pessoa realizada é a que realizou o Ser, não a que leu mais livros, ou decorou o pensamento de celebridades - e menos ainda a que pensamentou tanto que lhe ferveram os miolos, ficando abibolada da bola, como Cervantes garante que ficou Don Quixote, tornado cavaleiro intrépido e andante, de tanto ler romances de cavalaria. O que de costume ocorre com pensadores compulsivos é o de se tornarem excesivos ou ridículos, refratários à luz da consciência, de tanto se entregarem, como máquinas extraviadas (evoé, José J. Veiga!) aos movimentos mecânicos do pensamento condicionado e mecânico. Eles, os pensadores compulsivos, pensam demais, e errõneamente, e em sua presunça cegueira, pensam que são os reis a cocada preta. P.S. Há diferença visível entre a pessoa que realizou o Ser, isto é, integrou no Si-Mesmo todas as instâncias da Consciência, e a que apenas empanturrou-se de letras vernáculas, sendo que muitas delas são portadoras de doenças venéreas: embora os criticocratas de plantão as proclamem veneráveis, são vulneráveis, lamentáveis e toscas, pois que vivem a parasitar outras, enrabichadas que são como rabo de raia,ou de pandorgas ao vento - assim como o pensamento automático e condicionado caminha a outros de sua estirpe, como um macaco zombeteiro, a saltitar nos galhos da mesma árvore. Gonzaguinha diria, em ironia nordestinada: "A platéia ainda aplaude/ainda pede bis/a platéia só deseja ser feliz".
Escrito por brasigoisfelicio às 10h23
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Seria muito bom e fácil se as atrocidades dos tiranos pudessem ser evitadas ou punidas pelo simples fato de um poeta dizer que está a cagar-se para elas, como o fez Lobo Antunes, escritor português. No sentido inteiro da expressão, ela quer dizer não dar importância. E devemos, sim, dar importância a tudo o que agride os direitos essenciais da pessoa, e viola os direitos humanos. Também andei pescando sabedoria em Pascal, mas há todo um pensamento da Filosofia Perene (que sobrevive a ele, uma vez que é perene, isto é, ilumina os séculos e milênios, como o demonstrou Aldous Huxley. A dignidade do ser humano, e toda a sua complexidade não podem residir somente no pensamento, mera função da mente intelectiva, e apenas um dos mais baixos andares do insondável edifício da percepção. Ademais da filosofia perene, há todo um pensamento contemporãneo, a desmistificar este poder absoluto do pensamento, a que você alude. O pensamento não abarca todas as qualidades da pessoa auto-realizada, segundo o insuspeito e moderno Maslow. Se o pensamento resumisse em si toda a dignidade e potencialidade do humano, realizadamente humano, neuróticos e psicopatas seriam os faróis da humanidade, uma vez que eles pensam muito bem, e muitos deles provaram ser até genialmente articulados articulados. Há pessoas que pensam alucinadamente, o tempo todo, mas o fazem sentindo-se desconfortáveis em relação à realidade. São os pensadores compulsivos, fanáticos e escravos do pensar cartesiano, para quem só existe o que cabe em pensamentozinho condicionado e estreito. Ao contrário destes, pessoas que realizaram o Ser nelas mesmas utilizam o pensamento apenas como um instrumento de comunicação cotidiana. Para acessar verdades eternas utilizam instrumentos mais poderosos e sensíveis...
Escrito por brasigoisfelicio às 10h20
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... este PMDB de cujos escândalos no Senado e em outras praças tanto se fala, está no poder desde Cabral. Pois ele é antes de tudo um estado de espírito - a representação, em partido político, do jeitinho brasileiro/macunaímico de viver. Tá faltando um Teotônio no pedaço.Quem sabe com mais alguns da sua vibra e coragem poderia arrancar o país do carnaval da lassidão moral em que se acha atolado. No crepúsculo de sua agonia de canceroso, dizia:"Contra o monstro eu voi, neste tempo que já encurta". E disse ainda, o que aos nossos dias se aplica como luva: "As práticas dos que detém o poder são cada vez ousadas - e no sentido inverso ao desejado. Porque há realmente uma pátria. E por esta pátria estou lutando. E se pudesse ter outra vida, eu a daria inteira, pelo restabelecimento da dignidade da prática política em meu país". De fato, o paladino da esperança está a fazer falta, com sua saúde civil. Talvez sua ira santa fosse capaz de despertar do berço anêmico este gigante adormecido, eterno país do futuro. No mais, é como escrevi, no poema Pátria Brazilis: "As escórias de Portugal/as escoras do Brasil/.
Escrito por brasigoisfelicio às 16h09
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Ver o documentário "O evangelho segundo Teotônio" de Silvio Tendler remete, por contraste, aos tristes tempos de baixio moral da prática política atual - com o PMDB dando o vexame costumeiro, sendo useiro e vezeiro em vender-se por muito mais que trinta dinheiros. A trajetória de Teotônio Vilela foi, de fato, invulgar: de usineiro a quase socialista, governador das oposições, paladino das liberdades públicas e da justiça social. Nele se deu que o câncer veio tirá-lo da bagaceira, lançando-o a escrever, com sua vida, um evangelho de indignação e revolta contra as estruturas injustas que diminuem Homens em animais de carga, "bestas saciadas que procriam". Teoônio, que tantas vezes protestou contra os desvios de seu partido (e pelo menos naqueles tempos o PMDB tinha brios de libetário) hoje se envergonharia, ao ver os conluios e cambalachos, alianças espúrias, em que está sempre envolvido...
Escrito por brasigoisfelicio às 16h08
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PÁTRIA BRAZILIS Brasigois Felicio As escórias de Portugal as escoras do Brazil Os escárnios do Brazil os canalhas do Brasil Os sabujos de plantão os palhaços da razão Os canalhas céu de anil os calhordas sem buril Os melindres dos perversos os fazedores de versos Convescotes dos ridículos nas surubas dos pudicos Os melindres dos patifes os chiliques dos juízes Trombas d´água na secura no país da velha usura Qaurteladas & pampeiros lambe-botas de cueiros O atraso só avança no Brazil das Bruzundangas.
Escrito por brasigoisfelicio às 19h40
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AMOR GERAL Brasigois Felicio Amo de modo vário e meu bem querer geral é um calor sem endereço Por ser muitos em mim mesmo assumi pagar o preço de ser Quem Eu Sou Não sei porque nem por quantas desde eras primevas o meu amor abrange as pedras e as plantas Seja motivo de prisão ou de assassinato a este amar dou alvíssaras, pois tem sido a luz que me guia Nele encontro a criança que não morreu em mim em verdade, este amor é que sustenta a alegria da sua inocência E a quem me repreenda por eu ser assim ofereço, para que o aqueça, a minha alma em chamas.
Escrito por brasigoisfelicio às 20h18
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