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 Pousada do Farol




Brasigois Felicio - Diário de bardo
 


 

 

Inventário de ossos

Brasigois Felicio

De um poeta, companheiro antigo

da seara insone da poesia, ouvi este

conselho amargo: poeta, não se iluda!

Nosso tempo passou, estamos crepusculares,

e na pátina das horas, estamos

do meio dia para a tarde.Qualquer dia destes

sua moto de mais de mil cilindradas

cairá sobre seus ossos, com o impacto de uma carrreta

ao passar sobre uma casca de ovo.

- e nossas musas baldias

estão mais para tias

esquecidas de Eros, sendo que as novinhas

não nos dão liga, e nos chamam de tios, ou vovozinhos!

Nós, que fomos perseguidos por ser esquerdistas,

hoje apanhamos com o pau das bandeiras

que carregamos, em um tempo em que ser da esquerda

dava cadeia - hoje dá emprego, pensão vitalícia, e regalias

que nem no céu se limitam.

Cai na real, nosso tempo passou,

e põem a mão para o céu, os que se arranjaram perante

os gerentes de banco, e podem pagar um personal trainer

em academias de pelancas da terceira idade.

 

Atropelado pela amargura da cruel verdade

sendo tomado como reacionário e direitista,

por gente com quem marchamos

em passeatas por liberdade e justiça,

achando difícil refutar o discurso arrasa quarteirão,

saí sob o sol da tarde, a me consolar com o pensamento

de que valeu a pena não ter tido a alma pequena:

falarão por nós a entrega apaixonada ao instante breve,

os poemas libertários que escrevemos com sangue

nas noites de angústia, medo e coragem,

em que qualquer palavra era um risco,

mas era preciso dar testemunha dos horrores que vivemos

de violência muita, e pouca ternura sobrevivente.

 

E dando os trâmites por findos,

com a dor e a delícia dos nossos poemas

que deixamos como legado de nosso amor ao mundo

vagido ou escambo de nossas utopias,

demos nosso recado, e não nos acovardamos

ao dar nosso testemunho!

"E vós, quando chegar o tempo

de ser o Homem um companheiro para os Homens,

pensai em nós, com simpatia!".

 

 



Escrito por brasigoisfelicio às 09h36
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Na busca de encontrar o pai
que sempre foi um ausente
]certas mulheres buscam relacionar-se
com parceiros ausentes e egoístas
- e assim sustentam o sofrimento,
mantendo o passado sempre atual.



Escrito por brasigoisfelicio às 12h59
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As lanchas da Ideli

Brasigois Felicio

 

Ideli saiu

para comprar um lanche

mas acabou comprandotrinta lanchas de luxo.

Como no Ministério da Pesca

não estava a fazer nada,

não tendo aprendido sequer

a colocar minhoca no anzol,

como os outros da quadrilha

a exemplo do pastor macedista

resolveu comprar logo um lote

mesmo sem saber para que serviriam.

Na certa enferrujariam no estaleiro

como de fato estão enferrujando

contando que da compra milionária

salvasse a sua campanha, com uma chuva de grana.

Fi-lo porque qui-lo, respondeu, quando inquirida

quanto à estrovengagem da compra:

eita mulé poderosa!



Escrito por brasigoisfelicio às 04h49
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"Não me ensine a morrer,
eu não quero aprender":
eu não hesitaria em jogar
todos os meus sonhos fora,
se para mantê-los eu tivesse que perder
o poder do Agora.



Escrito por brasigoisfelicio às 21h16
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O POETA

Brasigois Felicio

"O artífice do verbo
... busca a união
entre o silêncio e a palavra"
E assim, como enigma, tece
a arquitetura do poema:
como ave-palavra
menos avara. Assim, escreve
não para explicar tudo, mas
para beirar os abismos
e esplendores do Ser
e assim alimentar-se
do mistério de tudo.



Escrito por brasigoisfelicio às 16h14
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O Diabo perdeu seu emprego neste mundo,
no máximo está servindo para que pastores
falem dele o o tempo todo, nas igrejas,
esfolando incautas ovelhas em seu nome.
Segundo Contardo Caligaris, não há razão
para temer o Diabo, pois hoje os seres humanos
já não precisam dele para fazer o pior.



Escrito por brasigoisfelicio às 08h08
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A UM HOMEM FEITO NA FORJA DA VIDA

 

Pettras Felício

 

(A Brasigóis Felício – meu pai)

 

O menino vende doces nas ruas da cidade que não lhe vê,

doces que não adoçam a amarga lida de quem os carrega.

O menino engraxa os sapatos daqueles que tem sapatos,

das putas, que às vezes pagam em espécie.

O menino já é maior que a mãe e a acolhe nos martírios do desamor.

O menino balconista devora palavras na solidão do banheiro

e começa a  ser mais que menino.

O menino sonha com o pai, o espera, o cultiva, o fantasia

e as curvas do destino o tomam para si no dia em que ele chegaria.

Não houve tempo para o ansiado abraço.

Mas houve tempo.

Sempre há tempo.

 

 

O menino fala a muitos. Suas palavras chegam longe

Longe, porque as palavras não sabem das lonjuras

O menino segue sua sina e ladeado por quem lhe dá rota,

Faz meninos, que fazem meninos, faz palavras, que criam palavras

E nunca termina o menino

Nunca terminará o menino.

 

 

O menino, obra de todas as obras, continua menino

Com a brancura na barba e nos cabelos.

Nunca pensa com que roupa vai

Com que jeito chegar

Com que olhos o receberão

Com que réguas o medirão

Com que regras o julgarão

Ele simplesmente é e está.

Ele simplesmente permanece menino.

E sorri um riso largo e simples

Um sorriso que ensina a insistir.



Escrito por brasigoisfelicio às 23h46
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Caminhando nas alamedas do Bosque dos Buritis, sob o sol desta bela manhã de abril, encontro o Américo, filho do amigo Antonio Poteiro. Ele também é artista, e como seu pai, esculpe sonhos em cerâmica. Nesta terça-feira, 24, ele abre no Museu de Arte de Gyn a mostra Um novo sonho. Bom saber que o sonho de Antonio Poteiro tem continuidade neste Américo seu filho, gente boa toda a vida, simples como a natureza, uma alma pura, que vive a construir com barro a aventura de sonhar acordado.


Escrito por brasigoisfelicio às 09h43
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ROUBANIA

Perto do famoso baileda Ilha Fiscal,

a roubalheira que se vê

em todos os níveis de Governo

é uma Sodoma e Gomorra,

comandada pelo Marquês de Sade.



Escrito por brasigoisfelicio às 08h18
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Amor demais cansa, piormente
se for amor carcereiro
envenenado deapego
armado de tentáculos
que metem medo.
Amor de verdade
tem que dar descansoe paz:
se for do tipo obsessivo-compulsivo
sufoca, a criatura amada mal respira
então passa a esconjurar
a infelicidade de perder o ar.


Escrito por brasigoisfelicio às 15h23
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A solidão das redes

 

Brasigóis Felício

 

O que é uma rede,

senão tudo aquilo

que nos envolve,

com seus novelos

 

Muitos que nas redes sociais

acham-se grandes libertários

de verdade são escravos

e vivem encarcerados

em cárceres emocionais.

 

Íntimos de milhares

de amigos virtuais

sem que o sejam de si mesmos.

 

Em gigabytes

de solidão acelerada

gastam as horas

da existência ativa

em expansão reativa

a solidões vazias.

 

Peixes apanhados nas redes,

em feixes de medos,

iludem-se, pensando que estão livres

quando já foram pegos.

 



Escrito por brasigoisfelicio às 10h12
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Doença cinzenta

 

Sofre de uma doença cinzenta
quem vive meio desperto, meio adormecido
meio morto e meio vivo:
a isto se chama viver deprimido
na zona escura das coisas,
passando ao largo do sol da alma
e da alegria da vida.

 

 

 

 

Doença cinzenta

 

Sofre de uma doença cinzenta
quem vive meio desperto, meio adormecido
meio morto e meio vivo:
a isto se chama viver deprimido
na zona escura das coisas,
passando ao largo do sol da alma
e da alegria da vida.

 

 

 

 

Doença cinzenta

Brasigóis Felício 

 

Sofre de uma doença cinzenta
quem vive meio desperto, meio adormecido
meio morto e meio vivo:
a isto se chama viver deprimido
na zona escura das coisas,
passando ao largo do sol da alma
e da alegria da vida.

 

 



Escrito por brasigoisfelicio às 21h56
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Babalaorixando

Para ser considerado um luzeiro
da diplomacia brasileira, bastou dar abrigo
em nossa embaixada, em Honduras,
a Zelaya e seu bando.É duro ser cabeça dura!
Como se não bastasse, passou a apoiar
a aventura nuclear dos Aiatolás.

Em cantar Lula-lá
consiste a litania de seu louvar
as glórias do Babalaorixá de Banãnia.


Escrito por brasigoisfelicio às 14h57
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O Caminho Secreto
Paul Brunton

Na natureza, a soberania pertence às forças silenciosas.

A lua não faz o menor ruído e não obstante, arrasta milhões de toneladas de água do mar no vaivém obediente ao seu comando.

Não ouvimos o sol levantar-se, nem as estrelas ocultarem-se. Assim, a aurora da nova vida surge silenciosamente no homem, sem que nada a anuncie ao mundo.

Só na quietude pode o conhecimento do Eu Superior manifestar-se. Somente em profundo silêncio interior podemos ouvir a voz da Alma. Os argumentos ocultam-na e o excesso de palavras ensurdece-a e abafa-a.

A vida ensina-nos silenciosamente, enquanto que os homens instruem em voz alta.

A preciosa descoberta do verdadeiro EU dentro de nós só pode ser feita quando a mente estiver em repouso; as palavras apenas confirmam a realidade, mas não a explicam e jamais a poderão explicar, pois a Verdade é um ESTADO DE SER e não uma torrente de verbosidade.

O argumento por mais inteligente que seja, não substitui a realização pessoal.

Devemos experimentar se queremos viver a experiência.

A palavra "DEUS" não terá sentido para mim, antes de conseguir pôr-me em contacto com o Absoluto dentro de mim mesmo e só então poderei inclui-la no meu vocabulário.

Os grandes problemas da existência individual, os sublimes tormentos da Alma que assediam qualquer pessoa sensata, não podem ser resolvidos na região limitada do cérebro; ao passo que as respostas plenamente satisfatórias, esperam-nos no âmago sem limite do nosso próprio ser, substância divina da nossa natureza oculta.

O cérebro responde com palavras estéreis, enquanto a resposta do Espírito é a vivência maravilhosa da iluminação interior.

O recinto da consciência está no âmago mais intimo de nós mesmos; cada um possui uma porta secreta que se abre para a Luz, mas se não quiser fazer o esforço para abri-la condena-se a si próprio a permanecer nas trevas.

Aprendei a pôr-vos em contacto com o Eu Superior e resolvereis o problema a sós, de forma definitiva e independente do que diga qualquer livro, seja sagrado ou secular.

Alguns chamam de "meditação" este exercício, nome tão bom como outro qualquer. Chamar-lhe-ei REPOUSO MENTAL. A única maneira de entender o que significa exactamente a meditação é praticá-la. "Nem quatro mil volumes de metafísica vos ensinarão o que é a Alma" - exclamou Voltaire.

Como tudo o que tem valor, os resultados da meditação adquirem-se com muita lentidão e assiduidade e trabalho. Porém quem a pratica com o espírito requerido pode estar certo de alcançar a meta. Começamos com as provas experimentais e terminamos com a experiência divina.

A meditação é uma arte quase perdida no Ocidente. Poucos são os que a praticam e entre esses ainda menos compreendem o que estão a fazer.

O hábito de dedicar todos os dias alguns minutos para o recolhimento e repouso mental, prima pela ausência na vida dos povos ocidentais. Contudo, é um hábito de importância vital, cujos benefícios, se praticado, não podem ser demasiado exagerados, mas se negligenciado conduz a tristezas e aflições. Por mais que resistamos a este direito divino sobre nós durante o dia, somos incapazes de resistir ao eu interno durante o sono profundo e sem sonhos.

Então somos capturados pela Alma; então gozamos de repouso na nossa própria natureza, ainda que inconscientemente.

O controle do pensamento é difícil de se obter e as suas dificuldades nos surpreenderão, o nosso cérebro se rebelará. Tal qual o mar, a mente humana está incessantemente activa. Mas tal controle pode ser feito.

No centro do nosso ser mora esse Eu maravilhoso, porém para atingi-lo temos de abrir um canal através de todas as touceiras de pensamentos que o cercam e que nos fazem prestar incessante atenção ao mundo material, tornando-o a única realidade.

Nós os homens modernos, já começámos a dominar a Natureza, mas ainda não aprendemos a dominarmo-nos a nós mesmos.

Ondas infindáveis de pensamentos nos perseguem e oprimem; atormentam-nos durante as insónias da noite e durante o dia permanecem grudados em nós.

Se pudéssemos apenas aprender o segredo do seu domínio e supressão, poderíamos mergulhar num maravilhoso repouso, numa paz semelhante à que segundo S. Paulo, "ultrapassa o entendimento".

Os cinco sentidos prendem-nos ao mundo material como se fossem de goma e querem um contacto físico constante em forma de objectos, pessoas, livros, divertimentos, viagens, e toda a espécie de actividades.

Só podemos matar o inimigo nos momentos em que os sentidos guardam silêncio.

Dominar a mente é dominar a si próprio.A Alma que controla a maré sempre activa dos pensamentos, pode vestir a farda de capitão e dar ordens à Natureza toda. Eis o que se chama o poder de concentração - a força que faz dos homens VERDADEIROS SENHORES DO PENSAMENTO. Se nos sentimos incapazes de nos concentrar, então um pouco de prática diária nos dará a capacidade que nos falta. Os que procuram meditar, nem que seja por meia hora, com o tempo dominarão a corrente tumultuosa dos seus pensamentos vadios.

A decidida determinação da vontade iluminada de abrir o seu caminho através da sólida montanha de pensamentos e tendências do passado que o homem levantou ao seu redor, receberá um dia a justa recompensa. Ao sair por fim do outro lado, verá a Luz e a Paz que ultrapassam a compreensão (intelectual) humana.

A luz da mente é vaga e difusa no homem comum; cabe-nos encontrá-la até a converter num poderoso farol; depois qualquer que seja o objecto em que projectemos esta potente coluna luminosa, podemos ver claramente e adquirir pleno conhecimento sobre ele.

E este objecto pode ser meramente material ou uma ideia abstracta.

Converter o homem tão constantemente extrovertido num introvertido temporário, é uma das empresas mais valiosas. Ela o capacitará a contemplar picos serenos de puro pensamento.

Esta disciplina pode parecer um trabalho intolerável aos que a intentam, mas a recompensa vale mais do que o seu preço.

O homem-comum é um joguete do meio e das influência externas. É governado por tendências hereditárias e sugestões alheias. Ser capaz de controlar os seus pensamentos na azáfama e pressão da vida moderna, é uma valiosa conquista e a meditação produzirá tal controle. Dentro de nós está a eterna realidade que a crosta oculta. Este é o segredo da vida que tem desafiado os talentos brilhantes de homens ilustres e que será por nós descoberto e se tornará nossa jubilosa posse.

O nosso verdadeiro ser está sempre ali, mas a pressão dos nossos pensamentos e a atenção contínua que prestamos às coisas exteriores através dos sentidos abafam a suave presença do Eu.

Um dos resultados da meditação é capacitar-nos observar como funciona o Eu em relação à máquina intelectual, emocional e física.

Os intelectuais orgulhosos sentam-se nos seus débeis pedestais e esperam ser adorados, quando existe o tempo todo uma divindade habitando nas profundezas do seu coração, que é a única digna de adorações.

O verdadeiro gerador dos seus talentos e criador dos seus feitos, o ser que o satura do princípio de vida e assim lhe permite existir, satisfaz-se plenamente em permanecer em segundo plano, ignorado e despercebido pelos homens.

As grandes minas de diamantes de De Beer, na África do sul, foram descobertas por uma criança ao arrancar um pedaço de cristal negro do muro de uma velha fazenda holandesa, diante do qual, por tantos anos repassara tanta gente completamente alheia ao tesouro nos seus calcanhares!

Quantas pessoas já ouviram o suave murmúrio do seu ser interno ou perceberam a sua delicada orientação, somente para de seguida apagá-los sem nada entenderem?

Se formos bem sucedidos em levantar a ponta do véu da consciência, que o sono profundo representa, poderemos descobrir o significado do céu e da terra. Para o estudante que entrar nesta condição, morrerão necessariamente todos os pensamentos que lhe chegarem.

À mente europeia é difícil conceber um tal estado, em que a consciência humana subsiste sem pensamentos, mas poderá constatar isto pela prática e experiência.
A descoberta de uma "estrela" de cinema é celebrada pela imprensa de todo o mundo, ao passo que a descoberta do eu espiritual de um homem se faz em completo silêncio, sem os louvores do mundo. Saberemos que estamos a ingressar na aura do verdadeiro Eu pela experimentação de um sentimento de felicidade. Este é apenas o estágio inicial.



Escrito por brasigoisfelicio às 13h58
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Mini conto do Aldir Blanc:

"Fomos os dois, lá em Ramos

noite alta como na seresta

para o idílio sob as estrelas

- mas tinha mosquito prá cacete!".

                               *

Na balada da intertextualidade aqui entro eu, com meu estro:

Lá em Ramos foi que nos pegamos

como dois gaturanos

entre espinhos de tiririca

e esquadrilhas de carapanãs

Inté que veio a Puliça

e cortou o sezão ao meio

dando baculejo e voz de prisão.

Escapei por ter dito que sou conhecido

do primo da con-cunhada do Cabo Espiridião.

 

                               *

O bom cabrito, sim, berra e protesta,

quando é escolhido para iguaria da festa.

                               *

No Ministério da tilápia não faltam prosápias

de malandros de gravata

engolidores de verbas, estão mais para tubarão

do que para lambari.

                               *

Em muitos casos, não há como dar um jeito no negócio

a não ser metendo o dedo no troço.



Escrito por brasigoisfelicio às 21h42
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